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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Análise Sociológica da música O Lobo (Pitty (Rock)




Houve um tempo em que os homens
Em suas tribos eram iguais

Veio a fome e então a guerra

Pra alimentá-los como animais

Não houve tempo em que o homem

Por sobre a Terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais.

O homem é o lobo do homem!
O homem é o lobo do homem!

Sempre em busca do próprio gozo
E todo zelo ficou pra trás
Nunca cede e nem esquece
O que aprendeu com seus ancestrais
Não perdoa e nem releva
Nunca vê que já é demais.

O homem é o lobo do homem!
O homem é o lobo do homem!


Pode-se identificar nesta música o que Tomas Hobbes afirma em sua obra “O Leviatã”, que em seu Estado de Natureza os homens podem tudo, e se utilizam de diversos meios para conseguir o que querem.

Para Hobbes  "O homem é lobo do homem”, ou seja, o home é mau por natureza, se impõe ao outro por meio de força bruta, da violência.

No Estado de Natureza, o homem depende de sua própria força e empenho, sendo constantemente tomado pelo temor de morte violenta.

Em suas teorias Hobbes discorre sobre a passagem do homem do estado de natureza para o de sociedade, onde cada homem renunciou seu direito a todas coisas por meio de um contrato social, além de que o estado de natureza é um estado de igualdade natural, onde a natureza fez os homens iguais, tanto em corpo e espírito, apesar de que existam diferenças, pois, existem homens mais fortes fisicamente e de espírito mais vivo, porém em sua totalidade todos se igualam.

Sendo assim, no estado de natureza a condição de guerra é inevitável, pois não tem como ter paz quando todos tentam se sobressair uns aos outros.

"Durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens" (Hobbes, 1974: 79).

Então, nessa condição de guerra de todos contra todos, sua única segurança é sua força, tendo a liberdade de usar seu poder da forma que achar conveniente para preservar sua vida.

"Onde não há poder comum não há lei, e onde não há lei não há injustiça" (Hobbes, 1974: 81).

Para Hobbes O Grande Leviatã é o Estado, o único artifício humano que pode sanar as desordens, onde a lei natural pode ser abolida, substituída por uma ordem convencional, artificial, criada pelos homens com o fim de promover o bem comum, ou seja, a preservação da vida.

“Isso é mais do que consentimento ou concórdia, pois resume-se numa verdadeira unidade de todos eles, numa só e mesma pessoa, realizada por um pacto de cada homem com todos os homens [...] Esta é a geração daquele enormeLeviatã, ou antes – com toda reverência – daquele deus mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, nossa paz e defesa” [...] É nele que consiste a essência do Estado, que pode ser assim definida: ‘Uma grande multidão institui a uma pessoa, mediante pactos recíprocos uns aos outros, para em nome de cada um como autora, poder usar a força e os recursos de todos, da maneira que considerar conveniente, para assegurar a paz e a defesa comum’. O soberano é aquele que representa essa pessoa”. (HOBBES, 2003, p.130-1 31).

Referência Bibliográfica:

HOBBES, Thomas.Leviatã. Ed. Martin Claret, São Paulo, 2006.

sábado, 6 de abril de 2013

O uso de letras de músicas nas aulas de Sociologia



Publicado Originalmente no  Blog Café com Sociologia.

Indicamos aos professores de Sociologia, que usam ou pretendem utilizar músicas nas aulas, a leitura do artigo intitulado "O uso de letras de músicas nas aulas de Sociologia", de Cristiano das Neves Bodart.

Resumo
O presente artigo objetiva apontar as dificuldades docente no uso da música brasileira em aulas de Sociologia, assim como discutir de quais formas é possível utilizar-se das letras das canções sem distanciar-se de uma análise sociológica. 

O artigo se fundamenta na revisão de literatura e na prática docente do autor. 

Apontamos que tais dificuldades, relacionados à análise nociva a docência da disciplina de sociologia, estariam ligadas a formação do professor, a recente inclusão da disciplina na grade curricular e as dificuldades de definição das fronteiras da Sociologia com a História, com a Geografia e com o senso comum.

Palavras-chave: Sociologia; Música; Análise; Sala de aula; Perversidades.

Artigo completo pode ser na Revista Café com Sociologia ou acessado AQUI




quinta-feira, 21 de março de 2013

Os principais elementos e constitui o estudo sobre a reforma agrária na região de Araraquara‐SP




Conforme a professora Vera Lucia Silveira Botta Ferrante e, seu texto A REFORMA AGRÁRIA DIANTE DAS ESTRATÉGIAS DO AGRONEGÓCIO: O CASO DOS ASSENTAMENTOS DE ARARAQUARASP, BRASIL” , diz que “Acompanhar, por mais de duas décadas, a implantação e o desenvolvimento de numerosos núcleos de assentamentos de reforma agrária na região agrícola mais rica do Brasil, dominada pelo agronegócio da cana e da laranja, tem sido fascinante exercício sociológico.”, pensamos que: primeiro torna-se importante essa região pelo fato de ser um objeto de pesquisa do ponto de vista sociológico, porém percebemos que existem alguns pontos para exploração tais como: uma região agrícola “mais rica do Brasil”, outro seria que essa riqueza que é controlada pelo agronegócio.
Partindo desse prisma ela continua “Pode-se considerar quase um milagre que reivindicações de trabalhadores destituídos de terra, (e à época também de direitos trabalhistas), tenham conseguido estabelecer territórios de reforma agrária, em meio à “chama verde” de extensos canaviais”, pensamos que uma região “rica” como essa e dominada por coronéis dificilmente deixaria que houvesse outro tipo de trabalho nessa região que não estivesse sob seu controle.
Chama-nos atenção uma observação de Ferrante quando diz que, “Já nos anos 90, parte da nossa equipe de pesquisa, ligada a BOTTA FERRANTE, analisava lutas, ajustes, avanços, recuos e resistências, buscando conceitos novos que dessem conta dessa complexidade e chegando ao conceito de modos de vida, que tem sido fértil do ponto de vista analítico para compreensão desses novos atores sociais. Paralelamente, parte da equipe ligada a WHITAKER, aprofundava a observação, com base no conceito antropológico de cultura, tentando compreender os processos através dos quais sujeitos que sofreram dolorosas rupturas em suas trajetórias, tentavam reconstruir suas vidas, reunindo fragmentos culturais que lhes permitissem articularse dignamente ao sistema dominante. Por um lado, observavamse o passado e as rupturas e, por outro, a reconstrução e os modos de vida. Parte desse novo modo de vida implicou recuperar a mãe natureza: resgatar conhecimentos do passado, renovar tradições, estabelecer diversidades e heterogeneidades que garantam essa recuperação em terras desgastadas pela monocultura de eucaliptos, por exemplo – caso de alguns núcleos de terras públicas cedidas para assentamento na Fazenda Monte Alegre". (WHITAKER, 2003). Pensamos que com essa fala ela demonstra que já existia interesse em observar esse fenômeno de reforma agrária, debaixo das barbas dos coronéis.
Portanto conforme destaca a nossa amiga Chizlene, “Apartir da subjetividade nas relações sociais que desenvolveram o olhar antropológico, este trouxe os conflitos e as adaptações culturais que sofreram os assentados enquanto que sociologicamente foram impulsionados à modificações vista ao desenvolvimento do setor agro-industrial onde as tensões políticas e econômicas passam a definir um novo modelo de vida destes assentados”, FERRANTE diz que “Nossas pesquisas desvelaram um mundo de diversidade agrícola, alimentação abundante e farto excedente para comercialização, além de cultivos específicos. Cumpre lembrar, porém, que os assentamentos desta região são verdadeiros enclaves, em meio à “plantation” de canadeaçúcar, o que os fragiliza enormemente face ao poder econômico do agronegócio.Temos acompanhado a luta dos assentados que transformaram terras desgastadas em territórios de vida e trabalho, com significativas vantagens para recuperação ambiental”. Corroborando assim a fala de Chizlene.
Surge nesse cenário um interesse da classe dominante quando percebe que os assentados permanecem firmes diz Cida, referindo-se ao texto de FERRANTE “Mas, paralelamente, usinas de açúcar e álcool do entorno, investiram e, em diferentes momentos, conseguiram parcerias autorizadas pelos poderes competentes, inviabilizando algumas dessas conquistas. A presença constatada da cultura agroindustrial da canadeaçúcar nos assentamentos rurais expõe o futuro destas experiências de Reforma Agrária a controvérsias de natureza diversa, o que exige um olhar atento e crítico sobre esta trajetória”.
FERRANTE faz uma pergunta da seguinte forma, “Com a expansão da cana nos assentamentos, quais disposições criadas são capazes de possibilitar aos assentados tomarem as rédeas de suas vidas em suas próprias mãos, garantindo sua subsistência e ampliando suas perspectivas de renda, sem prejuízo das alternativas de participação, de inclusão e de organização social?”, pensamos que uma vez que esse assentamento foi cooptado pelo agronegócio enfraquecendo suas estruturas através dos meandros políticos a resistência dessa organização torna-se vulnerável porém a mesma organização tem uma possibilidade de continuar sua produção porém agora sob os olhares dos Agro-Industriais.
Encerramos com o último parágrafo desse texto quando FERRANTE diz, “Reiteramos, cabe a nós, investigadores, analisar alternativas e rumos dessas experiências de Reforma Agrária, os quais não podem ser discutidos sem ser passada em revista, em profundidade, a trama de tensões presentes nos paradoxos da integração do assentamento aos complexos agroindustriais e na difícil, mas possível, perspectiva de um modelo de desenvolvimento alternativo”, pensamos que os dominadores sempre querem estar subtraindo, e não querem somar e muito menos dividir, sempre querendo mais esse é o capitalismo apoiado na não reforma agrária.
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